quinta-feira, 9 de outubro de 2014

E eu a pensar sobre coisas do amor

Ele, preocupado com as coisas do dia
A pia
A água pouca
O cano de ferro da casa materna

E a minha presença ali?

Eu a lavar silenciosamente
as louças e a pensar
sobre o amor...

A sentir o que é ser mulher
e ter ali este homem.
Entre Boas Noites, saudades
e planos mais duradouros.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Cansaço

Queria varrer o deserto todo depois da vento

Sem cansaço

Queria passear a camelo no deserto

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

(sem título)

Palavras somente ditas, não escutadas por aquele ambiente...
Humano que passa a existir
E coisas que passam a falar

Sem cabimento

A felicidade existe

O trabalho
As conquistas
Ele e eu.

domingo, 1 de dezembro de 2013

(sem título)

Não precisa entender de poesia
Nunca pus verbo também
Silenciosamente, pedi:

Detalhes que nos dão fome
à mesa.
É tudo azul e verde é a cor de teus olhos.

Amor, palavra primeira, antes de tudo.

Depois de tudo, amor, sem mais fome
Poesia e oração acontecem.

Vão a mesa: homem e mulher.




sábado, 26 de outubro de 2013

Passou entre o povo
acenou para os pobres
ergueu-se a cabeça e caminhou
lentamente entre soldados e cavalos de praça.

Não deu muita idéia para minhas cartas.
Ainda sabia que eu morava ali.
Disparou em rodeios no meu bairro.
Lembrança tosca!

Antes o que era verão, agora também no inverno.
Assentado sem motivo
Sem previsão que vais chegar
Sem tempo: duro ou flácido.

O vazio de agora
Agarro-me ao pano velho
Aos instantes de glória

Sem Deus por perto
Meu coração

Crucifixo na porta de minha casa.






sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Há os pensamentos do dia
e há os pensamentos da noite
por isso a minha insônia.

Pensava que todos dormiam
e acordavam no mesmo horário
e não comiam tomate.

Queria deixar de pensar
na sua ausência quando
já é madrugada.

Quando pequena, não imaginava
que as pessoas podiam se falar
ou perder o sono pela noite.

Pensava que se eu contasse do
tomate, ninguém me compreenderia.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Secos, torrões, durões
passos de meia-calça

Ele não me ama - Ele não me ama...

Pisava e pensava chuva

Para porque seus pés
conhecem o vendedor de pastilhas

Sua garganta pobre depois
de rezar na Igreja.
Abriu o guarda-chuva num
relance de não ver ninguém

Para ele, nem para ele estava disposta...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

1945

Não há música depois disso
No pasto estão menino, sua cintura e o velho touro.
Nada mais fazem além de brincar

Meu auto-falante foi para o concerto.
Portanto sem berros.
O bom menino vem até a mim.

Sabe sozinho levar o touro.
Gosta de colher verduras.
Trancar a vasta casa sozinho.

Pequeno, nem sabe que existe a palavra pai.
Quando voltarem as vozes, ele suspeitará boa notícia.

Campina verde, touro morto, o pai a carregar o menino.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Mastigar nozes é tão bom
quando não se têm dor no coração

Toda hora aparece a saudade no jardim
Sem pressa penso nela

Não queria assim tão perto
Assim tão perto, não queria tão longe

Nossas decisões são feitas sob medida.

Nada de ombro caído, fora da marca
senão fico triste demais...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mandou-me cartas atrasadas pelo correio
Correspondendo pensamentos daqueles dias.

Guardei-as como bobagens
Mas meu peito sabia que as não eram.

Passei dias em silêncio, combatendo tudo
em silêncio, até pegar as cartas, ter o cuidado
de me benzer antes de abri-las.

O mal corre milênios, atropelando
agora até as células.

Foi como se sentir, fosse uma tremenda
de uma burrice. Som que só nós escutamos.
Amanheci em cidades cristalinas do Ocidente
A arquitetura era tudo que eu queria sentir
E senti.

Tive piedade aos olhares brasileiros
Revivi a simpatia de quem acaba de conhecer sua Terra
E não conhece nada.

No Brasil, pouco preocupamos com a beleza.
Se há beleza, existe dor.

Implorei a Deus a paisagem.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Sobre as coisas que não sabemos.

Quem disse que o pato, coitado, pagaria o que não devia?
Foi cedo capturado, antes passeava pelo lago
Fazia seu barulho de pato e foi culpado por isto.
Era pato. Morava com muita gente, comia alimentos
dados por meninos.
Acabou lindo, nem tão duro assim...
Todos estavam felizes.
Gargalhavam, bebiam e não falavam mal.
Uma tia trouxera doces, todos lembrariam do pato
Ele comia doces, babava nos filhinhos.
Era um doce pato.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Não há paredes que
a gente possa encostar

Não flutuamos

Hipnotizados

Sofremos

Como podíamos saber que
não haveriam paredes no espaço?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Todo amor

Disse pai

para o espaço

Dentro do ônibus,
o sol irradiante

É cheio de curvas assim?

O tempo quer sempre se despedir
e não pode, por isto o mistério

Pessoas partem, nosso corpo curva
Sem dança, caminhamos no asfalto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Músicas entre as outras
Que me lembram um pouquinho de você
Seria muito elegância – arrogância
Da minha parte, só ouvir canções alegres
No meu mp3...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alto da Boa Vista

Ver o amor perder-se na vista
da mata verde, cheia de flores
silenciosas. Somente ao eco
do piano forte, raríssimo no Brasil.

Perder-se no silêncio da cascata
no turismo moderno que chega de ônibus.

Então, banho muito quente
Produtos da Granado.
É terra, é terra
mas que dos pés, saem limpos.

São soberanos, requintados
caminham lentos onde o povo está.

Com uma luz campestre,
trêmulos estão os cômodos. Ainda se ouve
dos quadros, o choro do menino,
que foi para a cama cedo.

Ruídos de uma família monarca.
Assombra o meu tempo:
Cobre-te bem a cabeça
Amanhã chega Dom Pedro
Não queira ser filho...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Tudo no lugar

As veias da planta
Eu num canto
testo minhas saudades:

Revejo o que não vivemos
Que pena...
Todo canto da casa
e da cidade
mora o teu assento
e a minha lealdade.

Muitas vezes pensei
em te escrever
mas não deu
não houve palavras,
as que o tempo engoliu.

Senti que devia
te esperar mais um pouco
-Tolice-
O tempo realmente passa
e é péssimo saber do
que nada fizemos.

Queria te escrever uma carta
e te mandar um beijo.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Da janela

Há anos que eu reparo nesta moça
que passa, com tristonho
o seu andar.

Menino pequenino
te acompanha.
Seu companheiro, não sei onde está...

Febril fiquei ao te ver passar
chorei sem aos seus pés
poder chegar.

Toco sua valsa, no entanto
nem sabe o pranto deste meu calar.